may hd (ba)
“Expulso”
Videoperformance
Duração: 17’55”
2020
A videoperformance configura-se como um ritual de libertação e proteção diante do invisível e do desconhecido, em ressonância com as faixas do álbum homônimo, evocando o contexto de suspensão, medo e reconfiguração das relações vivido durante o período pandêmico de 2020. Nesse sentido, a obra opera como um dispositivo simbólico de enfrentamento, no qual gesto, presença e imagem se articulam como práticas de resistência e elaboração sensível do trauma coletivo.
Realizada em plano-sequência, a performance se desenrola no espaço mediado de uma videochamada, apropriando-se de sua interface como campo estético e político. A artista surge em interação com esse ambiente digital, explorando a escolha de manter-se em silhueta — um gesto que tensiona visibilidade e anonimato, instaurando uma forma de protagonismo que recusa a exposição total e reivindica outras formas de presença.
As distorções, falhas e ruídos próprios da transmissão online não são apenas vestígios técnicos, mas elementos constitutivos da linguagem da obra, incorporados como matéria poética. Esses atravessamentos tecnológicos amplificam a dimensão discursiva da performance, evidenciando um corpo feminino e político que se inscreve na instabilidade, no desvio e na precariedade como estratégias de enunciação.
Assim, a videoperformance constrói um campo de forças onde ritual, tecnologia e corpo se imbricam, abrindo espaço para refletir sobre vulnerabilidade, controle e autonomia em tempos de isolamento e hiperconectividade.