alejandra muñoz (ufba) "fissuras: as mulheres e os museus"
Adoro quando as pessoas falam de Salvador como uma cidade feminina, elogiada pela sua beleza estonteante (apesar dos maltratos dos seus administradores) e pelos seus inúmeros valores culturais (apesar das tentativas de aniquilamento dos intolerantes). Na playlist local, de Caymmi a BaianaSystem, embora o nome oficial seja o masculino “São Salvador da Bahia de Todos os Santos”, “a cidade da Bahia” prevalece como substantivo feminino. Qualquer um que conheça a força das festas sagradas da Nossa Senhora da Conceição da Praia e de Iemanjá, que reverencie Santa Bárbara e Iansã, ou seja devoto da Santa Dulce dos Pobres, pensaria que “a Soterópolis” é o santuário da criação feminina, principalmente depois das fortes emoções que tantas artistas provocam na exuberância do carnaval baiano. Mas não é acarajé tudo o que borbulha dourado no tabuleiro. Em dezembro de 2020, em pleno tédio do isolamento pela pandemia, por conta de uma matéria sobre a escassa representatividade das mulheres nos monumentos de São Paulo, fiquei me perguntando como seria a situação soteropolitana.