Fatores importantes a serem considerados na análise da relação dos museus com as mulheres
Beatriz Abreu Gomes (UFBA) _
Resumo: Os museus, enquanto instituições, não devem ser considerados receptores apáticos e neutros, uma vez que a museologia se origina a partir de uma ideia de museu produzida pelo ocidente. Desse modo, as relações das mulheres com os museus se dão a partir da hierarquia de gênero desenvolvida pelo patriarcado, o que ocasiona o apagamento de diversas mulheres no campo artístico e museal. Desse modo o presente artigo surge na tentativa de delimitar fatores importantes a serem considerados para a produção de um discurso museológico que esteja aliado ao pensamento feminista, no intuito de modificar a imagem estigmatizada das mulheres nos museus e na sociedade, levando em consideração os diversos conflitos e opressões propiciados pelo marcador do gênero.
Palavras-chave: exposições; mulheres; sociomuseologia;
1 Introdução
O campo artístico-cultural, assim como todas as outras esferas da vida ocidental, foi desenvolvido no decorrer da história a partir do ponto de vista das culturas eurocêntricas. Nesse contexto, a Museologia se origina de uma ideia de Museu produzida pelo Ocidente Moderno e diretamente vinculada aos modos e formas, através dos quais, o Ocidente pensou o real. Perceberemos, então, que a cada “modelo de real” instituído por uma determinada sociedade, corresponderá um determinado “modelo de Museu” (SCHEINER, 2005).
Esse fato ocasionou o apagamento de diversas artistas e impactou profundamente o desenvolvimento da arte como um todo. O apagamento das mulheres na sociedade, história, ciência e nas artes tem-se dado por um processo histórico, patriarcal e misógino, que desconsidera as contribuições das mulheres em todas as áreas (ABREU; STUBS, 2020).
No desenvolvimento da história da arte a criação artística das mulheres, quando permitida, era limitada ao que era categorizado como “feminino”, de modo que suas produções eram ligadas apenas à arte decorativa, retratos de famílias e de cenas domésticas. Além disso, na maioria das vezes as mulheres eram proibidas de frequentar locais para a prática artística e tinham de produzir dentro de suas casas. Desse modo, a sociedade patriarcal negava às mulheres o exercício da cultura, criação e produção artística (SIMIONI, 2019).
Colocadas em segundo plano, no máximo reconhecidas como assistentes dos “grandes” artistas homens, não podiam assumir o protagonismo de suas vidas e consequentemente de sua arte, única e exclusivamente pelo fato de serem mulheres. Por trás da maioria das mais sofisticadas pesquisas sobre grandes artistas, mais especificamente a monografia de história da arte produzida pelo ocidente que aceita a ideia do grande artista em primeiro plano e ignora as estruturas sociais e institucionais nas quais ele tenha vivido e trabalhado, as colocando como meras influências secundárias ou apenas pano de fundo, se esconde a ideia do gênio que possui, em si, todas as condições para o êxito próprio (NOCHLIN, 2016).
Uma falácia que atribuiu às mulheres a culpa pela exclusão social sofrida, a partir de estruturas e instituições patriarcais. Isso distanciou as mulheres no desenvolvimento da história da arte, fato que pode ser comprovado também, através de estudos e análises da participação das mulheres no decorrer dos anos nas instituições museais.
A crítica feminista desenvolvida a partir de questões relacionadas à percepção intencional e não intencional do patriarcado, em aspectos chave da sociedade, como a cultura, pode ser lida através da análise de registros históricos, textos literários e produção cultural e artística. Como consequência, surge a revalorização de obras que receberam pouca ou nenhuma atenção, dada às restrições em torno da autoria feminina em variadas instituições (NUNES, 2018).
O museu será analisado, neste artigo, enquanto estrutura político-sociológica, que reflete, entre outras coisas, as mais diversas e variadas estruturas opressoras do mundo eurocêntrico, patriarcal, contemporâneo. Longe, portanto, de serem receptáculos apáticos, os museus são ao mesmo tempo produtos e produtores de hierarquizações sociais. Por um lado, são capazes de materializar as escolhas sobre o que deve ser preservado e monumentalizado. Por outro, são também a encarnação de longos processos de exclusões geralmente realizados de maneira silenciosa, imperceptível e naturalizada. (SIMIONI; ELEUTÉRIO, 2018). (Cont.)
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2 DELINEANDO UM PANORAMA DA RELAÇÃO DOS MUSEUS COM AS MULHERES
Pensar as questões de gênero nos obriga a considerar que as limitações impostas à condição feminina pela sociedade nos negaram o direito de participar da história como ainda a conhecemos, escrita e perpetuada pela visão androcêntrica. Desse modo, foi negada a nós, mulheres, uma gama gigantesca de direitos, dentre eles, o acesso à educação formal por vários séculos e a participação social. Como consequência houve o silenciamento sistemático das nossas vozes e protagonismos. Trata-se, porém, de um equívoco historiográfico que merece revisão (NUNES, 2018).
A partir disso, algumas perguntas podem ser feitas na tentativa de responder questões relacionadas ao campo artístico museal. Por que as mulheres produziram no decorrer da história da arte de modo desequilibrado em comparação aos homens? Seriam elas desprovidas de dons ou estavam em um estado mental de subordinação social e dependência financeira que as impossibilitavam de produzir e discursar?
A escritora Virginia Woolf (1928) explica em “Um teto todo seu” que durante um longo período da história, qualquer mulher que tivesse nascido com propensão às artes, certamente teria enlouquecido. Isso porque ela teria sido tão impedida e inibida por outras pessoas às práticas artísticas, quaisquer que fossem, que seria torturada por seus instintos e, portanto, perderia a sanidade. A própria Virgínia, embora fosse privilegiada, como comenta no mesmo livro, afirmando que a garantia de uma renda mínima foi o que lhe permitiu se tornar escritora, comete suicídio em 1941, depois de passar longos anos lutando contra a depressão.
Ainda de acordo com Woolf (1928), a falta de um espaço adequado e a pressão social para casar e se dedicar aos trabalhos não remunerados com a casa e com os filhos, não permitiam que as mulheres desenvolvessem suas habilidades, em qualquer área de conhecimento. As que se arriscavam eram tratadas como loucas, bruxas, subjugadas e escarnecidas pela sociedade patriarcal. Bell Hooks (1990), acredita que esse é um artifício utilizado propositalmente pela cultura hegemônica, uma vez que a linguagem também é um lugar de luta. Por isso, quando a margem fala, onde quer que seja, há pressão para silenciar as vozes, cooptá-las e enfraquecê-las.
Quando nos referimos ao contexto social das mulheres no mundo contemporâneo, não podemos negar que a segunda onda do feminismo provocou uma notável revolução cultural, mas a vasta mudança nas mentalidades não se transformou (ainda) em mudança estrutural e institucional (FRASER, 2009). Embora a sociedade tenha evoluído na participação social das mulheres, na grande maioria dos contextos sociais ainda estão sob sua responsabilidade os cuidados com a casa e com os filhos.
Em consequência, no campo das artes, há uma disparidade de números quando avaliamos acervos de obras de grandes instituições do mundo: no Metropolitan Museum, em Nova Iorque, 5% das artistas na seção de arte moderna são mulheres, em contrapartida 85% da nudez nas obras é feminina. A grande maioria das obras nas coleções dos 18 maiores museus dos EUA foi produzida por homens brancos. Eles compõem cerca de 75% dos acervos, enquanto as mulheres brancas representam 11% (TOPAZ; KLINGENBERG. TUREK, 2019).
Das três mil obras expostas na inauguração do Museu de Arte Moderna de Paris (MNAM) em 1947, 623 artistas estavam ali representados. O número é grandioso, mas as exclusões são também reveladoras. As mulheres artistas estiveram pouco representadas nesse momento, totalizando apenas 45 nomes, o que significa menos de 10% do total de artistas expostos. Muitas artistas mulheres hoje notáveis, cujas obras foram adquiridas durante os anos 1930 e 1940, poderiam ter sido escolhidas, dentre elas Frida Kahlo, Tamara de Lempicka, Sonia Delaunay e Maria Helena Vieira da Silva, apenas para citar algumas (SIMIONI, 2019).
No Brasil os dados não são muito diferentes. O Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP) inaugurou a sala “A instauração do moderno” em 2017, onde das 23 obras expostas, apenas três são de artistas mulheres, correspondendo a 13% do total de obras na exposição (SILVA, 2019). É sabido que no mundo da arte os processos de patrimonialização, musealização e crítica da arte desempenham um papel de legitimadores da obra de arte e consequentemente da artista:
Graças às ideias positivistas de Auguste Comte, que influenciaram o Brasil, desde o século XIX, as mulheres têm recebido educação formal. O percentual de estudantes do sexo feminino é alto, principalmente nas ciências humanas; e nas artes, elas constituem 82% do corpo discente. Mas em geral, o percentual de homens bem sucedidos é maior do que o de mulheres. Sucesso não depende só de competência. Essa é provavelmente uma das razões porque obras de artistas homens são maioria em museus, exposições, galerias (BARBOSA, 2010, p. 1984).
Quais os motivos que levam a uma participação mais baixa de artistas mulheres nas exposições? Quem são as pessoas que ocupam os cargos responsáveis pelas funções administrativas e de gestão nos museus? Como isso pode influenciar no modo como as atividades institucionais se desenvolvem?
Se percebe que não só os números são importantes, a produção de um discurso deturpado produzido sobre esse gênero, pode ser comprovada também a partir da avaliação das ementas dos cursos de artes e museologia. A pesquisadora Ana Audeberte (2020), alude para o fato de que inexistem disciplinas que pensem à relação das mulheres com os museus. Mas as mulheres estão lá, normalmente representadas pelas musas dos renomados artistas.
O que demonstra que a relação que historicamente estabelecemos põe o foco no homem como agente determinante das práticas sociais e envolve numa bruma constante as atividades desenvolvidas pelas mulheres. O potencial de todo e qualquer objeto para evocar a memória das mulheres é real, mas ele não é ativado porque operamos na lógica androcêntrica (AUDEBERT, 2020, p.14).
Sobre o apagamento de determinados corpos na produção acadêmica ocidental, a autora Lélia Gonzalez (1988), reflete que o mundo eurocêntrico, pré-colonialista, para estabelecer uma racionalidade administrativa em suas colônias, assume novos contornos, mais sofisticados. Desse modo, é naturalizada uma “verdadeira superioridade” branca e patriarcal, para disfarçar a violência proporcionada pelo pensamento hegemônico eurocentrado.
O que essa lógica androcêntrica reflete nas instituições museais é que embora os acervos dos museus estejam repletos de cultura material que possam contar a história das mulheres, se naturalizam as experiências e olhares produzidas sobre e pelos homens. Um exemplo disso é a quantidade de museus que no decorrer da história salvaguardam a memória de “grandes homens” que participaram de conflitos históricos nacionais, enquanto que as mulheres inexistem ou são muito pouco lembradas e citadas nos acervos.
Não podemos negar que de alguns anos para cá, por algumas instituições museais, há um movimento que tem tentado empreender esforços para incorporar em suas exposições, objetos que tragam o universo feminino para o olhar do público visitante. Contudo, nem sempre isso é feito de forma emancipatória, ou seja, não é só sobre trazer as mulheres para dentro dos museus, é necessário:
Agir para a construção da história e das memórias das mulheres nos museus e para que se coloque também em evidência as tensões, os embates, as cicatrizes de tudo o que foi esquecido deliberadamente e que faz com que mulheres não se reconheçam e não se sintam representadas nas narrativas construídas pelos museus (AUDEBERT, 2020, p.14)
Outro fato que deve ser debatido é que no Brasil, não existe um museu feminista. Como também não existe um museu das mulheres. Anna Audebert (2020) acredita que esse fato é fundamental para nos fazer perceber o quanto a museologia precisa caminhar, no intuito de propiciar uma construção política de memória das mulheres no campo museal.
Nesse sentido a memória que é criada sobre mulheres a partir do processo de musealisação, precisa ser revisitada. É necessário levar em consideração o contexto histórico que produziu os discursos em relação ao gênero feminino, a fim de que a crítica seja focada na emancipação das mulheres, aceitando e rejeitando ao mesmo tempo essas hierarquias pré-produzidas pelo mundo ocidentalizado. Uma vez que igualdade e diferença não são opostas, mas conceitos interdependentes que estão necessariamente em tensão (SCOTT, 1995).
3 UTILIZANDO DA SOCIOMUSEOLOGIA PARA TRAÇAR UM MÉTODO DE MUSEALIZAÇÃO QUE PRODUZA UM DISCURSO EMANCIPATÓRIO DAS MULHERES NOS MUSEUS
Para analisar os museus é necessário articular a Museologia com diferentes campos do conhecimento, uma vez que, o que caracteriza a sociomuseologia, perspectiva utilizada nesta proposta, não é apenas a natureza dos pressupostos e objetivos, como acontece em outras áreas do conhecimento, mas a interdisciplinaridade com outros campos do saber. Portanto, a sociomuseologia vem como resposta ao esforço de adequação das estruturas museológicas às sociedades contemporâneas. A abordagem interdisciplinar tem como objetivo transformar a museologia para atuar como recurso de apoio ao desenvolvimento sustentável da humanidade, no que tange a luta por igualdade de oportunidades, inclusão social e econômica. (MOUTINHO, 2014).
Ademais, a memória e o patrimônio material e imaterial que passam pelos museus são fundamentais nos processos de construções identitárias, de protagonismos nas construções de narrativas, de empoderamento social e de legitimação da democracia e da cidadania (PASQUALUCCI et al., 2022). Por isso é fundamental que as noções de memória e de patrimônio sejam a todo momento revistas e consideradas como processos que devem acontecer em uma via dupla com a contribuição e participação da sociedade.
De acordo com a sociomuseologia, isso pode acontecer por meio de práticas museológicas cujas propostas e definições relativas à memória e ao patrimônio sejam contextualizadas, fundamentadas na realidade social de seu povo e não no ideal de um povo que não representa as comunidades locais. (PASQUALUCCI et al., 2022). Esse é um exercício muito necessário e delicado. Uma tarefa difícil, visto que, o método dito “museológico” é, sobretudo, voltado para o objeto enquanto referência da cultura do homem e não para o Museu em si mesmo, enquanto fenômeno cultural e categoria de representação (SCHEINER, 2005). É fundamental, modificarmos esses discursos pré-estabelecidos sobre as mulheres, uma vez que os museus são:
Entendidos como poderosas instâncias de legitimação de poderes, discursos e identidades, os museus e suas coleções precisam ser analisados a partir dos conceitos de patriarcado e também de gênero, pois são instituições e práticas que historicamente colaboram para sustentar e naturalizar as situações de desigualdade, dominação, exploração e violência contra as mulheres (AUDEBERT, 2020, p.13).
Se por um lado temos discursos sociais alienados, teremos como consequência discursos museológicos alienados. Não podemos esquecer que quem gere as atividades e os processos museológicos são pessoas engendradas por sociedades, pautadas em valores eurocentrados, patriarcais e excludentes com as mulheres. Com isso, se faz necessário ressignificar a imagem produzida por, pela e sobre as mulheres, democratizando o direito à memória e à participação museal.
Portanto, é necessário modificar o modo como as exposições são concebidas nas instituições, para promover por meio da sociomuseologia, discussões sobre os reflexos das mais diversas e complexas percepções espaço-temporais, que surgem dos efeitos atribuídos à vivência marcada pelo gênero, onde se tem uma diminuição, tanto da participação cidadã das mulheres, quanto da própria experiência corporal no mundo cisheteropatriarcal.
A partir daí, o primeiro passo no sentido de produzir um discurso museológico que seja consciente e aliado ao pensamento feminista, é analisar como o marcador do gênero incute às mulheres uma série de violências e opressões. É urgente transformar os discursos produzidos dentro das instituições museais, para garantir a inserção digna das mulheres nesses espaços, já que muitos museus ainda se encontram ancorados em perspectivas patriarcais, fato que pode ser comprovado por alguns fatores, um deles é a participação desigual entre homens e mulheres.
Portanto, a museologia deve ser compreendida enquanto campo de conflitos e disputas, mas também enquanto ferramenta que pode auxiliar no desenvolvimento social, levando em consideração o seu caráter multidisciplinar, proposta fomentada pela sociomuseologia e museologia social. Entendendo que a Museologia é também um campo em que, a todo momento, travam-se relações de poder nesse jogo social e que muitos museus se fundamentam numa nítida proposta opressora, colonizadora e despolitizante (TOLENTINO, 2016), é necessário avaliar o quanto as instituições museais reproduziram e reproduzem as opressões causadas pelos marcadores do gênero. Essa análise pode ser feita de diversas formas, mas é importante considerar que:
[...] podemos também iniciar a investigação pela dimensão fenomênica do Museu, buscando compreender suas relações com o real - e remetendo não à ciência, mas à filosofia, ao estudo de uma dimensão ontológica da Museologia, que identifica espaços de análise muito próximos às manifestações do Museu no mundo contemporâneo (SCHEINER, 2005, p. 87).
Ademais, ressalta-se, como já dito anteriormente que é importante não apenas verificar a participação das mulheres em exposições, mas também outros fatores que estão por trás da escolha das temáticas nas exposições e como essas temáticas são, no campo do discurso, elaboradas para perpetuar uma imagem estigmatizada das mulheres. A abertura do museu ao meio e a sua relação orgânica com o contexto social provoca a necessidade de elaborar e esclarecer relações, noções e conceitos. (MOUTINHO, 1993).
Para garantir a inserção de artistas mulheres em museus e a produção de um discurso que atua na desconstrução da imagem estigmatizada, é imperioso avaliar também, do ponto de vista dessas artistas, os diversos conflitos e opressões sentidos por elas enquanto expositoras em uma instituição museológica. Dar voz a experiência é de suma importância, visto que de acordo com a teórica feminista Hélène Cixous (1991), falam das mulheres, mas raramente elas são permitidas a falar, então é imperativo que as mulheres se tornem matérias falantes, em vez de objetos silenciosos, porque é através da fala que a mulher tem o poder de se libertar da prisão que lhe foi imposta. Pensar nessas questões é permitir um salto de imaginação necessário, para fazer emergir novas perspectivas de instituições museais.” (VERGÈS, 2023).
CONCLUSÕES
Os museus não podem ser pensados de modo dissociado do contexto social no qual foram compreendidos, por conta disso para cada modelo de “real” instituído por uma sociedade, se tem um reflexo de museu. Com isso, os museus demonstram em suas composições os diversos conflitos e as complexas relações instituídas em sociedade.
Quando nos disponibilizamos a avaliar, dentro desse contexto, à relação dos museus com as mulheres precisamos considerar que o marcador do gênero se constituiu no decorrer da história, como uma importante ferramenta de submissão das mulheres. Fato que naturalizou uma experiência produzida pelo pensamento patriarcal e androcêntrico, levando à tendência para assumir o masculino como único modelo de representação coletiva, o que ocasionou no apagamento das mulheres em várias instancias sociais e em todas as áreas de conhecimento, incluindo nisso a museologia.
Desse modo, diversos são os fatores que devem ser levados em consideração para estabelecer um discurso museológico voltado para o tema museu e mulheres. Uma vez que apenas incluir as mulheres nos museus, sejam como artistas participantes ou como temáticas de exposições, não garantirá uma participação igualitária, democrática e emancipatória das mulheres no campo artístico e museal.
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